Buscar
  • Por Benjamin Guilherme Estrella

Entrevista para RioSou


RIOSOU entrevista Dani Greco artista multifuncional, multimídia multiregional - 50% Paulista e 50% Carioca, formada em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC/SP e atualmente trabalha no lançamento de seu 1º álbum autoral indie rock "AniL".

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Confira aqui mesmo ou AQUI NO LINK!

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

RIOSOU - Gostaria que você definisse essa expressão “Prefere o entre-corpo-lugar Rio de Janeiro-São Paulo” e como você chegou a essa constatação e como é conviver, trabalhando com tanta intensidade em duas cidades tão distintas?

“Entre-Corpo-Lugar” é uma pesquisa que começou nesse vai e vem entre SP-Rio, que faço há 15 anos. Comecei a perceber as diferenças e similaridades que as duas cidades contemplavam e como meu corpo lidava com essas transformações, pois apesar de próximas, as duas cidades são bastante divergentes em sua cultura. Em 2013 fiquei em residência artística por 1 mês no Rio de Janeiro com meu Coletivo, o Traça Urbana, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo em Santa Teresa, com uma pesquisa chamada “estadosDEpassagem”. Estudamos toda a região do centro e Santa Teresa e como os estados corporais eram alterados a partir da caminhada e de ações corporais que sofriam alterações através do contato com o cotidiano da cidade. A partir daí, aprofundei a questão deste corpo sendo este lugar de passagem, o entre-lugar de uma cultura que é construída a partir da relação do corpo com o espaço e seus elementos. Entre-Lugar é uma pesquisa proposta pelo teórico Homi Bhabha, que em seu livro “Local de Cultura”, explana que a cultura é este entre-lugar de muitos atravessamentos e sobreposições. Eu aproximo então esta teoria, do corpo como lugar de construção primeira da cultura, pois é através dele que nossa interação e troca com o mundo acontece. Por isso entre-corpo-lugar, ele está sempre no entre das relações. Falando da minha vivência, é um desafio muito grande para o corpo conviver com este atravessamento todos os finais de semana, pois pela distinção das duas cidades, os estados corporais pelos quais este corpo passa são intensos e por vezes exaustivos. A coleção de informações que este corpo acumula neste trajeto são muitas, e há a necessidade de se aprender a ser atravessada por esses estímulos e/ou bloqueá-los completamente. Confesso que é uma pesquisa minha de campo, de toda a semana, mas que por vezes eu “fecho” meu corpo, ao ponto de automatizá-lo nesse vai e vem, para que eu não seja demasiadamente atravessada, elevando o corpo a um estado de exaustão infinita, pois quando chego em SP ou no Rio, preciso trabalhar, assim, é necessário dosar este atravessamento, para que a pesquisa também tome o seu lugar nas oposições, pois ela começou a ser pensada a partir do automatismo que todos nós, dia após dia, vivemos. O entre-corpo-lugar então é uma pesquisa viva, que pretende romper com o automatismo do corpo, mesclando os seus conhecimentos e sua cultura.

RIOSOU - Conte-nos um pouco sobre o espetáculo “O Patrocínio”, como foi o começou, proposta do projeto, os integrantes, direção, a temporada, fofocas e titis, que você pudesse mencionar sobre esse trabalho?

“O Patrocínio” tem sido um grande divisor de águas na minha pesquisa enquanto artista. O convite veio através de um amigo ator - Gedivan Albuquerque - do Coral da Urca, que participo e coordeno. Ele me apresentou ao José Maria Rodrigues - autor e diretor da peça - e logo entrei no elenco, não houveram testes, apenas a leitura definindo qual a personagem que eu deveria estudar. No início relutei um pouco, pois é um projeto sem patrocínio e sem verba, mas como eu nunca havia feito uma comédia, resolvi arriscar. O processo tomou 2 meses e descobrimos que apresentar o projeto em casas culturais e em residências era o eixo principal daquele roteiro. Então, ficamos em cartaz na Casa Benet Domingo, na Urca, em Abril e Maio, fazendo também uma apresentação única na casa de uma das integrantes do Coral, a Di Lopes. Tem sido uma jornada muito gratificante, pois estamos todos engajados, juntos, apesar de recebermos só por bilheteria, todos tem ajudado na produção desde o início. O elenco conta a vedete Gina Teixeira (Gigi) que é uma atriz/cantora de vasta experiência no cenário artístico do Rio de Janeiro, ela tem muitos amigos queridos que a acompanham sempre, e através dela temos conseguido uma divulgação bem bacana em jornais, revistas, periódicos, inclusive no O Globo. O diretor Zé Maria é nordestino, com várias premiações e roteiros que contemplam a cultura brasileira e seus costumes, e ele também tem uma editora, a Taba Cultural. Bruno de Aragão, meu marido na peça e Fernanda Guimarães - a July, ótimos atores e companheiros de cena, Fê também é cantora e tem um trabalho corporal sensacional, pois não é qualquer atriz que faz o papel que ela está fazendo, e Bruno tem um trabalho maravilhoso de artesanato que é necessário conferir na página dele no Facebook. A fofoca do momento é nossa possível temporada em outro estado, mas que ainda é segredo! Tem que ficar ligado lá na página do Facebook “O Patrocínio”!!!! Atualmente estamos em cartaz todas as quartas-feiras de Julho às 19h30 no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo em Ipanema. É um privilégio estar ali, pois Guilherme foi produtor e amigo íntimo de Caetano, Gil, Betânia, Gal, então a Casa respira essa aura cultural e artística da música brasileira. Para mim, que faço o papel de uma cantora e que estou na busca pela minha carreira solo autoral como Dani Greco (rs), é uma sensação de realização, estar ali onde eles estiveram por tanto tempo, cantando, criando suas canções, se relacionando. A casa tem uma exposição lindíssima de fotos registradas por Thereza Eugênia na década de 60, 70, de Guilherme com esses queridos. Convido então à todos para nossa temporada no Gabinete, fica na Rua Redentor, 157 em Ipanema. Esperamos todos!

RIOSOU - Se você tivesse o poder de um “Deus” de mudar o mundo, o que você faria?

Bem, eu sou cristã e pauto minhas via e relações pelas ações de Jesus Cristo na terra, tudo o que ele fez e ensinou é o que tento fazer. O que eu gostaria mesmo é que as pessoas se amassem de fato, o amor é o ingrediente principal da vida, pois se você tem amor a si mesmo a ao próximo, acabou, não há nada que precisa ser modificado, pois a relação entre as pessoas será pautada nisso. Se eu tivesse uma varinha mágica, eu plantaria o amor. “Se eu falasse a língua dos homens, se eu falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria.” É isso.

RIOSOU - Como você avalia e quais suas pretensões referente o lançamento de seu 1º álbum autoral indie rock "AniL?

Isso foi uma maluquice total e verdadeira que me surgiu em 2016. Essa ideia surgiu com a minha personagem “Lara Lamer” no “O Patrocínio” e também a partir de uma conversa com um produtor musical de Bossa e Mpb, o Edu Toledo (que assistiu “O Patrocínio”), que me contou que eu deveria ser cantora e não atriz de musical, que ele me via como um Ney Matogrosso. Quando ele me disse isso, caiu como uma luva nas minhas pretensões e nas vivências que eu já tive por toda minha vida, cantar é algo que eu faço muito bem, talvez a melhor coisa que eu faça enquanto artista, eu nasci com esse dom, portanto, para mim tem sido muito natural o rumo como as coisas estão se encaminhando. Eu escrevo poesias, tenho um caderno com várias e depois dessa conversa com o Edu eu abri o meu caderno num determinado dia, escolhi algumas poesias, liguei o gravador do meu celular, e comecei a musicá-las. Pronto, eu tinha 9 músicas. Mostrei para algumas pessoas da area e todos me disseram que aquilo era muito bom. Bem, eu não queria que fossem canções de Mpb, ou Bossa, ou qualquer outro estilo e comecei a ir lá atrás na minha infância, adolescência... e descobri que o indierock sempre fez parte da minha vida. Eu cresci ouvindo Beatles, Pink Floyd, Jethro Trull, rock nacional e internacional, bandas alternativas da época de 80 e 90. Decidi que seria isso, até porque o que escuto hoje em dia é indie - Metronomy, Homeshake, Cicero, Hot Chip, Florence The Machine, Foster the People, Aurora, etc, etc, etc... “AniL” surgiu a partir de uma frase que uma amiga minha da faculdade, do curso de Comunicação das Artes do Corpo/PUC, dizia que eu era: “Montanha azul onde dança girassol.” - Selma Maria Barreto. E teve um belo dia que eu acordei com a palavra “anil” na minha cabeça, e aí foi isso, vai ser o nome do EP. Bom, agora o caminho se estreita, pois conversando com o possível produtor musical deste EP - Clemente Magalhães - cheguei à uma conclusão sobre a sonoridade deste, porém, não posso revelar, pois é algo muito específico e muito autoral, um processo que será longo, prazeroso e talvez inédito no cenário musical. Agora minha busca é por verba para produzir este EP, então, em breve vou lançar um financiamento coletivo, que você pode acompanhar pela minha fanpage no Facebook: @danigrecofficial. Infelizmente, nada se faz sem dinheiro, mas creio que até o final deste ano, o EP será lançado com um showzinho de quebra!

RIOSOU - A sua polivalência é algo que impressiona pela diversificação de linguagens. Quando temos a oportunidade de entrevistar um artista multiplural, reservamos essa pergunta: Deixe aqui uma receita de um prato um doce, um drink, um suco, uma dica ou qualquer coisa que saiba fazer e goste para que os nossos internautas possam preparar e te curtir gastronomicamente?

Obrigada pela polivalência, eu realmente estudei muita coisa, li muito, fiz diversos cursos, fiz faculdade de Turismo também, então, teria que ser assim mesmo, rs, essa multifuncional, rs. Eu sou péssima cozinheira, é uma das únicas coisas que não curto fazer, eu faço, mas não tenho paciência. Mas tenho alguns hábitos gastronômicos que tem me dado um retorno positivo no meu dia-a-dia. Meu desjejum da manhã. A primeira coisa que vou ingerir é uma caneca grande de água quente, isso ajuda a limpar o organismo e o funcionamento do intestino. Depois enquanto eu preparo o café com leite (sem lactose) eu corto uma banana prata em rodelas misturo com aveia e iogurte natural (também sem lactose), às vezes coloco uma pitada de hortelã e/ou mel. Ah! Antes de comer a banana como um ovo quente! Às vezes, quando estou animada, troco o ovo pela tapioca com cream cheese. E é isso. Eu almoço muito cedo, geralmente entre 12h e 12h30, faço um lanche no meio da tarde, e eu não janto, como um Rap10 Integral com legumes ou salada. Eu tomo muito café, o dia todo, essa dica não é legal! Paro por aqui!

RIOSOU - Você exerce também o trabalho de Produtora! Como você analisa o mercado atual e o futuro, para os produtores? Qual a dica que você daria para quem quer enveredar nesse setor e qual é a receita do sucesso?

Pois é, já fiz muita produção, mas estou largando essa função ultimamente, pois ela demanda muito tempo e força de trabalho e aí eu acabo não me focando nas outras atividades que são para mim mais importantes que isso. A receita do sucesso para quem quer fazer produção é: faça somente isso. Escrever edital, correr atrás de parcerias, enviar projetos, tudo isso demanda muito tempo, e se você não estiver 100% compromissada com isso, vai acabar fazendo de qualquer jeito e não vai adiantar nada. O cenário precisa de produtores, principalmente quem esteja começando e consiga trabalhar no atendimento a novas artistas, que ainda não possuem de grande verba, o esquema da troca, do “estágio” é ótimo, pois ao mesmo tempo que você aprende, está contribuindo para o cenário de novos artistas acontecer de fato. Produção é sim um bicho de sete cabeças, mas se você se enveredar por esse caminho, entrando de cabeça, você doma o bicho bem facilmente. O cenário também precisa de captadores de recursos, pouquíssima gente que exerce de fato essa função, ela é muito importante, então, a dica que eu dou é: se enveredem pelo caminho da captação, precisamos de profissionais fazendo isso. Eu fazia tudo sempre sozinha, mas como eu disse, é impossível, então parceria, são sempre bem vindas!

RIOSOU - Se você não fosse um ser humano e ao invés disto você seria um elemento do universo da natureza (água, terra, fogo e ar ), que elemento você seria e porque?

Com certeza eu seria o ar ou a água. Eu sou muito terra, preciso de ar e água para sobreviver, por isso me mudei de SP para o Rio. Eu sou uma pessoa muito focada mas eu preciso respirar, preciso me deixar levar, se eu não tiver isso no meu dia-a-dia eu não consigo criar. Minha identificação com ar e água também existe por causa da dança, de onde eu vim, e do movimento. O corpo em movimento me fascina e o ar principalmente é o parceiro máximo desse corpo!


29 visualizações
Contato
daniegreco@gmail.com | (21) 998287443
Ou se optar, deixe sua mensagem abaixo:

    © 2014 por Danielle Greco. Criado com Wix.com.